Um escritor e um trapezista”, declarou Sobrinho Simões a propósito da apresentação do livro Fósforos Riscados no Vento, de Mário Cláudio. “Sempre quis ser trapezista porque, tal como o escritor, estão sempre à espera que caiam” – respondeu o autor entre risos – feito este impossível para um autor de referência em Portugal. Uma conversa espirituosa, sobre memórias, do gosto das palavras, das suas pequenas acrobacias e esquecimentos.
“A rádio é desde sempre um território de histórias contadas, e cada uma destas crónicas é uma narrativa de diferentes recantos, um espelho poliédrico, elegante prosa que na voz do autor ganhou melodia, entoação irónica, ritmo próprio. E não foi assim que nasceu a literatura? Por vezes recuperando a inocência da infância, outras aceitando e enaltecendo a idade maior – o tempo, a memória, os outros, o mundo. Lemos sobre a importância das coisas simples e de gestos antigos, com a grandeza que aí reside. As crónicas de Mário Cláudio são cartas de apresentação da nossa humanidade, dando-nos, como no verso de Pessoa, “A esperança como um fósforo inda aceso”.
Do Prefácio de Luís Caetano.