
Dia 17 de setembro, às 18h, inauguramos a magnífica exposição O Que Fica Para Trás, de Gustavo Ludgero.
Depois de muitos anos fora de Portugal, Gustavo Ludgero regressa à cidade que o viu nascer com uma obra pujante e emocional, feita de memórias e religações quase fantasmáticas, que desvelam a espiritualidade do artista e a vontade de consubstanciar a sua linguagem mais secreta.
“É a arte torna visível a interligação do nós com a alteridade. Através dela, transformamos a experiência em linguagem, emoção e memória. Ao criar, não expressamos apenas a nossa individualidade; revelamos também os padrões, os ritmos e as ligações que partilhamos com o mundo”.
A curadoria é de Fátima Lambert.
O que fica para trás… torna visível a interligação do eu com a alteridade, seja o Outro enquanto conceito, ideia ou presença, seja apenas reflexo ou tessitura da memória que se vai revelando em diferentes processos e reflexões. Não há um caminho exato de reminiscência, mas sim um respirar acerca do ato universal de retirar-se. É um caminhar, sim, de novo, sempre. Através da exploração da matéria construí corpos e espaços que funcionam como dispositivos de inscrição de experiências, convertendo vivências pessoais em vestígios, tensões e afetos.
São a minha cartografia de intimidade, onde a viagem se afirma simultaneamente como movimento físico e processo interior. Entre a presença e a ausência, a permanência e a transformação, procuro uma experiência marcada pela(s) passagen(s) do tempo e pela vulnerabilidade das memórias, todas em aberto e em deambulação.
Gustavo Ludgero